Layla Suellen respira fundo, olha em volta do bairro e sente que a vida é uma debochada novela em que mocinhos e mocinhas também são vilões.
Todo mundo tem uma parte má, uma parte ordinária…
O problema é que as pessoas tem medo do lado podre, do lado B… Talvez se libertassem isso, seriam mais livres…
E ela pensava com filosofia de almanaque de fim de ano.
E isto foi como uma luz no coração sofrido de Layla Suellen.
Pensou em todas as vezes que quis mandar alguém se lascar e apenas sorriu.
Pensou em todas as vezes que quis transar com o time de futebol do bairro no campo, após um jogo, sentindo o suor dos guerreiros da bola.
Pensou em quantas vezes quis espancar sua irmã, apenas por capricho.
Sim, Layla agora seria a peste, a Geni, seria Circe.
E sem pestanejar disparou para Zenélio:
- Vinte reais, mais a carona até a porta do meu trabalho, mais um café com leite e pão de queijo ou nada feito!
- Você está louca! Com vinte reais eu pego uma profissional – disse o sacripanta.
- Bom, então vou a pé, aliás, o que não vai faltar é rapazes generosos me oferecendo carona – disse com petulância.
Titubeando por um instante, sem entender aquela mudança súbita, Zenélio bate o martelo:
- Ok, mas capriche, viu?
Foi então que Layla Suellen entrou no carro e disse muito séria:
- Sem beijo! Tenho asco de você! Imundo!
E então começou a trabalhar enquanto Zenélio arfava parecendo uma zebra com asma.
Durou 4 minutos.
Layla então pegou o dinheiro e retocou o gloss barato e disse rÃspida:
- Agora me leve para firma!!!
Será que Layla vai virar uma “prima”?
E com isso finalmente terá dinheiro para comprar o seu Ford K com adesivo da Minie?
Essas e outras dúvidas vocês encontrarão amanhã em Layla Suellen.
De vÃtima a algoz…





